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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

brasília 1977

brasília
tu tens a minha bosta incrustrada em teu solo
minha urina irrigando os teus verdes
as minhas mãos na plantinha que plantei
no jardim do bloco "S"
o meu olhar
perdido em teus horizontes
como a minha voz está em teu passado
e o meu coração
numa lixeira da 312 norte
tô cagando andando
pro que der e vier
pois brasília é o centro
de uma circunferência
de horizontes todos planos e iguais
nos levando para o infinito

tomada de consciência

eu não posso mais ficar tão distante
como se o mundo estivesse isolado de mim

eu preciso penetrar nesse círculo
e viver como se troxesse
o mundo dentro de mim
sentindo toda a efervescência humana
nas batidas do meu coração

ode às sqs

enquanto pito o meu pito
vou cantando:

fico em jejum
na cento e um

te encontro pois
na cento e dois

perco o pedrês
na cento e três

acho o seu retrato
na cento e quatro

piso com afinco
na cento e cinco

sinto ocês
da cento e seis

o caso se repete
na cento e sete

e corro afoito
para a cento e oito

você me comove
sentado na cento e nove

tristeza, invés
na cento e dez

bate forte o bronze
na entrada da cento e onze

e sofrer é dose
à saída da cento e doze

embora eu reze
me assombro na cento e treze

e saio de vez
pela dezesseis

dito

eu tinha um padrinho (nêgo) cego.
um dia, no jantar, na fazenda,
comendo rapidamente,
ele parou pra dizer:
"engraçado né siô?!
a gente pode errar tudo nessa vida
menos o buraco da boca!"

beijo no asfalto (ao nelson rodrigues)

de repente o corpo nem se apercebe
que o coração já voou pela boca
e... nunca mais.
é quando o êxtase da raiva, da impotência
acontece
e a gente vê que foi tragado
pelas engrenagens urbanas
das neuroses
panfletos libertários/falsos testemunhos
pelas engrenagens da mentira
que se tornou verdade
e...
nem por isso o sol
deixou de se esconder.

(coprólocu)

uma passo: eu aviso!
dois passos: pipoqueio o ar!
três passos: tenho o direito de matar!